terça-feira, 16 de outubro de 2012

INDUSTRIALIZAÇÃO E O IMPACTO AMBIENTAL



Terá o Homem o direito de prejudicar o mundo e o ambiente em que vive a fim de satisfazer as suas necessidades tecnológicas e industriais que parecem ser tão imprescindíveis á sua vida?

As origens do processo de industrialização remontam ao século XVlll, quando emergem na Inglaterra, grande potência daquele período, uma série de transformações de ordem económica, política, social e técnica, que convencionou-se chamar de Revolução Industrial. Hoje esse processo já é conhecido como 1ª Revolução Industrial, pois nos séculos XlX, e no XX, novas transformações geraram a emergência das 2ª e 3ª Revoluções Industriais.
As transformações de ordem espacial a partir da indústria foram enormes, podemos citar como exemplo as próprias mudanças ocorridas na Inglaterra do século XlX, onde a indústria associada a modernização do campo, gerou a expulsão de milhares de camponeses em direcção das cidades, o que gerou a constituição de cidades industriais que nesse mesmo século ficaram conhecidas como cidades negras, em decorrência da poluição atmosférica gerada pelas indústrias
Devido ao crescimento das populações e das necessidades de consumo, as
indústrias cresceram consideravelmente em número, áreas de atuação e variedade de
produtos. Entretanto, a disciplina e a preocupação com o meio ambiente natural não se
fizeram presentes durante muitos anos, tendo como resultado problemas ambientais de
grandes dimensões
A industrialização, acompanhada da urbanização, causou grandes impactos
ambientais nas cidades em que se processou com maior intensidade. Convém ressaltar, no
entanto, que eles também foram e são verificados em meios ambientes afastados das
cidades, em decorrência da construção de grandes empreendimentos de engenharia, como
usinas hidrelétricas, termoelétricas e termonucleares, da exploração mineral, da construção
de ferrovias e rodovias, sempre motivadas pela própria industrialização (sem considerar os
impactos causados pela agricultura, pecuária, silvicultura, caça e pesca)
Recursos naturais
De uma forma bastante simplista e usual, podemos dizer que
recursos naturais são matéria e energia que a natureza coloca à nossa
disposição e que o homem transforma para seu uso, numa busca incessante de mais conforto e qualidade de vida, pois, como o próprio
nome já diz, recurso significa alguma coisa a que se possa recorrer
para a obtenção de outras coisas.
Os recursos naturais são classificados como renováveis ou não-renováveis,
porém, essa conceituação precisa ser revista. É certo que os recursos naturais,
após seu uso, podem ser renováveis, isto é, ficarem novamente disponíveis, ou
não-renováveis, ou seja, nunca mais ficarem disponíveis. Sendo assim, teoricamente, os vegetais e os animais de uma forma geral, são exemplos de recursos
naturais renováveis, já os minerais, como o minério de ferro ou a bauxita e até
mesmo o petróleo, são classificados como recursos naturais não-renováveis.
Para que os recursos naturais sejam de fato renováveis deve haver vontade
política e investimentos. No caso de um rio poluído que corte várias cidades, sem
investimentos para a sua recuperação esse recurso natural poderá ficar indisponí-
vel para várias gerações das populações dessas cidades ribeirinhas, comprometendo o conceito da água como um recurso renovável.
Indústria e Poluição das Águas
Poluição é qualquer degradação das condições ambientais, do habitat de uma
coletividade humana. È uma perda, mesmo que relativa, da qualidade de vida em
decorrência de mudanças ambientais. São chamados de poluentes os agentes que provocam
a poluição, como um ruído excessivo, um gás nocivo na atmosfera, detritos que sujam rios
ou praias ou ainda um cartaz publicitário que degrada o aspecto visual de uma paisagem. O
problema da poluição, portanto, diz respeito à qualidade de vida das aglomerações
humanas. A degradação do meio ambiente do homem provoca uma deterioração dessa
qualidade, pois as condições ambientais são imprescindíveis para a vida, tanto no sentido
biológico como no social.
Foi a partir da Revolução Industrial que a poluição passou a constituir um
problema para a humanidade. É lógico que já existiam indícios de poluição, mas o grau
aumentou muito com a industrialização e urbanização, e a sua escala deixou de ser local
para se tornar planetária. Isso não apenas porque a indústria é a principal responsável pelo
lançamento de poluentes no meio ambiente, mas também porque a Revolução Industrial
representou a consolidação e a mundialização do capitalismo, sistema sócio-econômico
dominante hoje no espaço mundial. E o capitalismo, que tem na indústria a sua atividade
econômica de vanguarda, acarreta urbanização, com grandes concentrações humanas em
algumas cidades. A própria aglomeração urbana já é por si só uma fonte de poluição, pois
implica numerosos problemas ambientais, como o acúmulo de lixo, o enorme volume de
esgotos, os congestionamentos de tráfego, etc. Além disso, o capitalismo se expandiu e
unificou o mundo, criando uma visão internacional do trabalho.
A partir da Revolução Industrial, com o desenvolvimento do capitalismo, a
natureza vai pouco a pouco deixando de existir para dar lugar a um meio ambiente
transformado, produzido pela sociedade moderna. O homem deixa de viver em harmonia
com a natureza e passa a dominá-la, dando origem ao que se chama de “segunda natureza”:
a natureza modificada pelo homem, como o meio urbano com seus rios canalizados, solos
cobertos por asfalto, vegetação nativa completamente devastada, assim como a fauna
original da área, etc., que é muito diferente da “primeira natureza”, a paisagem natural sem
intervenção humana
Desde os tempos mais remotos, o homem costuma lançar seus detritos nos cursos
de água. Até a Revolução Industrial, porém esse procedimento não causava problemas, já
que os rios, lagos e oceanos têm considerável poder de autolimpeza, de purificação. Com a
industrialização, a situação começou a sofrer profundas alterações. A industrialização
acompanhada da urbanização causou grandes impactos ambientais nas cidades em que se
processou com maior intensidade
O volume de detritos
despejados nas águas tornou-se cada vez maior, superando a capacidade de purificação dos
rios e oceanos, que é limitada. Além disso, passou a ser despejada na água grade QUALIT@S Revista Eletrônica.ISSN 1677-4280 V7.n.1. Ano 2008
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quantidade de elementos que não são biodegradáveis, ou seja, que não são decompostos
pela natureza. Tais elementos como os plásticos, a maioria dos detergentes e os pesticidas,
vão se acumulando nos rios, lagos e oceanos, diminuindo a capacidade de retenção de
oxigênio das águas e, conseqüentemente, prejudicando a vida aquática.
A água empregada para resfriar os equipamentos nas usinas causando sérios
problemas de poluição. Essa água, que é lançada nos rios ainda quente, faz aumentar a
temperatura da água do rio e acaba provocando a eliminação de algumas espécies de
peixes, a proliferação excessiva de outras e, em alguns casos, a destruição de todas
VAI COMEÇAR OUTRO TEXTO AQUI HENRIQUE, SE VOCÊ QUISER FAZER QUALQUER MODIFICAÇÃO (DEVE COMEÇAR A REPETIR INFORMAÇÕES) FIQUE A VONTADE”
A Revolução Industrial e a sociedade
de consumo
Destacamos que “todo o desenvolvimento técnico sempre esteve relacionado
com a evolução da história humana” (SANTOS, 1997, p. 76).
As modificações no modo produtivo decorrentes do avanço tecnológico ocorriam
e ocorrem até hoje de forma concomitante nas esferas econômicas e políticas.
No mesmo momento em que acontecia a Revolução Industrial, as transformações
políticas e econômicas na Europa se deram igualmente e de maneira muito rápida.
A Revolução Industrial teve início na Inglaterra, na segunda metade do século
XVII, passando por um estágio inicial que propiciou a acumulação de capital,
por meio das oficinas artesanais (também chamadas de manufaturas) que eram as
responsáveis pela produção da maior parte das mercadorias consumidas na Europa.
Esse fator e outros como: a supremacia naval inglesa, a disponibilidade de mão-deobra,
a disponibilidade de matérias-primas, mercado consumidor interno, entre outras
coisas, tornaram a Inglaterra o cenário favorável para o início da Era Industrial.
A Era Industrial trouxe em seu bojo novos conceitos e técnicas de produção,
como: produção em série, especialização da mão-de-obra, linha de montagem etc.
Essas inovações propiciaram principalmente a produção de “excedentes”, possibilitando
a estruturação do sistema capitalista do século XX e abrindo espaço para
um novo mercado de consumo, como nunca antes visto.
Na linha de montagem, um produto que inicialmente era produzido por
apenas um artesão, passa a ser produzido por um conjunto de operários, com a
especialização da mão-de-obra que, embora acelerasse o processo de produção,
Sociedade de consumo e impactos ambientais
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fazia com que estes perdessem a relação do conhecimento de todas as etapas da
fabricação. A produção em série causa a produção de excedentes, ou seja, pela
primeira vez na história da humanidade, “as indústrias produziam mais do que os
consumidores necessitavam” (HOBSBAWN, 1986, p. 57)
Esse modelo econômico cria uma nova questão: como escoar o excedente produzido? Tem início aí o estímulo à sociedade de consumo – base do novo sistema
econômico, o capitalismo – que nasce incentivada a suprir suas necessidades
por meio do consumo de bens e serviços. Segundo Portilho (2002), o consumo
passa a funcionar “como um miraculoso dispositivo de objetos e sinais para atrair
a felicidade, referência absoluta que equivale, talvez, à própria salvação”.
Para Baudrillard (1995), o mito da felicidade tornou-se mensurável pelo
bem-estar dos objetos, do conforto e dos signos. Ou seja, introjetou-se na cultura
da época o pensamento: o homem vale pelo que tem. Ainda sob a ótica desse
autor, o consumo funda-se, não apenas em função da satisfação de necessidades
individuais e harmoniosas, mas como atividade social, já que as necessidades se
organizam segundo uma procura social objetiva por sinais e por diferenciação.
Como conseqüência do modelo econômico adotado a partir da Revolução
Industrial, podemos apontar o aumento e a concentração populacional nas cidades,
a degradação ambiental, a miséria e a violência. Segundo Almeida e Rigolin
(2003), com a Revolução Industrial, e posteriormente a revolução tecnológica, o
homem não é mais submisso ao meio natural; ao contrário, exerce sobre ele domínio
e exploração para a produção do seu bem-estar
Recursos naturais
De uma forma bastante simplista e usual, podemos dizer que
recursos naturais são matéria e energia que a natureza coloca à nossa
disposição e que o homem transforma para seu uso, numa busca incessante
de mais conforto e qualidade de vida, pois, como o próprio
nome já diz, recurso significa alguma coisa a que se possa recorrer
para a obtenção de outras coisas.
Os recursos naturais são classificados como renováveis ou não-renováveis,
porém, essa conceituação precisa ser revista. É certo que os recursos naturais,
após seu uso, podem ser renováveis, isto é, ficarem novamente disponíveis, ou
não-renováveis, ou seja, nunca mais ficarem disponíveis. Sendo assim, teoricamente,
os vegetais e os animais de uma forma geral, são exemplos de recursos
naturais renováveis, já os minerais, como o minério de ferro ou a bauxita e até
mesmo o petróleo, são classificados como recursos naturais não-renováveis.
Para que os recursos naturais sejam de fato renováveis deve haver vontade
política e investimentos. No caso de um rio poluído que corte várias cidades, sem
investimentos para a sua recuperação esse recurso natural poderá ficar indisponível
para várias gerações das populações dessas cidades ribeirinhas, comprometendo
o conceito da água como um recurso renovável.
Impactos ambientais
A Revolução Industrial e a sociedade de consumo, estimuladas pelo sistema
capitalista, vêm promovendo grandes modificações nos ecossistemas do planeta
por meio de ações de alto impacto ambiental.
Chamamos de impacto ambiental as alterações nas propriedades físicas,
químicas e biológicas do meio ambiente, resultantes das ações antrópicas ou não.
Entre as ações mais impactantes destacamos:
Poluição
É a introdução no meio ambiente de qualquer tipo de matéria ou energia estranha
a ele, que venha a alterar as propriedades físicas, químicas ou biológicas do
ecossistema, podendo afetar a qualidade de vida das espécies de um determinado
lugar, ou que venha até mesmo a provocar modificações físico-químicas nos minerais
presentes. Desde a Revolução Industrial os impactos ambientais resultantes
da poluição são mais freqüentes. Citaremos a seguir alguns impactos ambientais
que ocorrem em escalas variadas e que são conseqüências da poluição.
Inversão térmica
Chamamos de inversão térmica ao fenômeno meteorológico que ocorre
principalmente nas metrópoles onde há grande concentração de indústrias e conseqüentemente
grande quantidade de partículas poluentes em suspensão no ar.
A inversão térmica ocorre quando uma camada de ar frio se sobrepõe a
uma camada de ar quente, impedindo o movimento ascendente do ar e fazendo
com que os poluentes se mantenham próximos à superfície. As inversões térmicas
são fenômenos meteorológicos que ocorrem durante todo o ano, sendo que,
no inverno, elas são mais baixas, principalmente no período noturno. Sua área de
abrangência é local
Em um ambiente com um grande número de indústrias e de circulação de
veículos, como o das cidades, a inversão térmica pode levar a altas concentrações
de poluentes, podendo ocasionar sérios problemas respiratórios, atingindo principalmente
idosos e crianças. Observe o esquema a seguir:
O fenômeno da inversão térmica vem se tornando um grave problema de
saúde pública nos grandes centros urbanos.
Chuvas ácidas
A combinação dos poluentes em suspensão na atmosfera, principalmente do
dióxido de enxofre e de nitrogênio, ao entrar em contato com o nitrogênio presente
na atmosfera, acumula-se até atingir o ponto de saturação. Após atingir esse ponto,
essas substâncias se precipitam sob a forma de chuvas ácidas. Ao caírem na crosta
terrestre carregam uma boa parte dos poluentes que estavam em suspensão. As águas
das chuvas, assim como o orvalho, a geada, a neve, e até mesmo a neblina, ficam
carregadas de ácido sulfúrico ou ácido nítrico. Ao se precipitarem sobre a superfície,
alteram a composição química do solo e das águas, destruindo florestas e lavouras,
atacando até mesmo estruturas metálicas como monumentos e edificações
Efeito estufa
Chamamos de Efeito Estufa o fenômeno de aquecimento do globo terrestre
causado por alto grau de poluição atmosférica.

Os gases causadores desse efeito impedem a dispersão dos raios solares. Os
principais são os dióxidos de carbono, o metano, o óxido nitroso e compostos de clorofluorcarbono.
A maioria deles é proveniente da queima de combustíveis fósseis.
Nos últimos anos, o aumento da industrialização e da população mundial
e, conseqüentemente, o aumento da poluição e a emissão desses gases vêm sendo
apontados como as principais causas desse fenômeno. Outro fator agravante
apontado pelos cientistas é o desmatamento de florestas, principalmente quando
causados por queimadas. Segundo as estimativas do Painel Internacional sobre
Mudanças Climáticas, a temperatura média global subiu 0,6° C no século XX e
esse aumento pode elevar-se em mais 1° C até 2030.
Chamo a atenção para o seguinte ponto: na realidade, o efeito estufa já existe
na Natureza e sem ele o Sol não conseguiria aquecer a Terra o suficiente para
que ela fosse habitável. Portanto, o efeito estufa não é maléfico à Natureza. O que
é altamente prejudicial ao planeta é a sua intensificação.
As principais conseqüências do aquecimento global do planeta Terra podem ser:
derretimento das calotas polares, causando o aumento do nível dos mares
e oceanos;
a perda da biodiversidade;
o aumento da incidência de doenças transmissíveis por mosquitos e outros
vetores e a intensificação de fenômenos tais como: secas, inundações,
furacões, tempestades tropicais, desertificação, aumento da fome
gerado pela perda de áreas agricultáveis;
o aumento do fluxo migratório em várias regiões do planeta, problemas
com o abastecimento de água doce, entre outros.

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